Kuarup: O Ritual da Despedida e do Recomeço na Floresta Amazônica
Mergulhar na cultura indígena amazônica é descobrir rituais profundos. Um dos mais emocionantes é o Kuarup, cerimônia dos povos do Xingu, como os Yawalapiti, Kamaiurá e Waurá, no sul da Amazônia. Esse ritual celebra grandes líderes falecidos e transforma o luto em renascimento espiritual e social.

𝗢 𝗾𝘂𝗲 é 𝗼 𝗞𝘂𝗮𝗿𝘂𝗽?
É um ritual de homenagem aos mortos ilustres da aldeia. Mesmo sendo um funeral simbólico, não há tristeza: há beleza, dança e união, para honrar os mortos com alegria e permitir que os vivos sigam em equilíbrio.
𝗔 𝗺𝗮𝗱𝗲𝗶𝗿𝗮 𝘀𝗮𝗴𝗿𝗮𝗱𝗮: 𝘀í𝗺𝗯𝗼𝗹𝗼 𝗱𝗼 𝗮𝗻𝗰𝗲𝘀𝘁𝗿𝗮𝗹
“Kuarup” é o nome do tronco da árvore usado para representar o espírito do homenageado. Esses troncos são pintados e colocados no centro da aldeia, tornando-se o foco da cerimônia.
𝗗𝗮𝗻ç𝗮, 𝗹𝘂𝘁𝗮 𝗲 𝗽𝘂𝗿𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮çã𝗼
Durante dias, aldeias se reúnem para cantar, banhar-se com ervas, comer juntos e dançar. O ponto alto é o Huka-Huka, luta simbólica entre jovens guerreiros, como um ato de respeito e passagem de conhecimento.
𝗖𝗼𝗿𝗽𝗼𝘀 𝗽𝗶𝗻𝘁𝗮𝗱𝗼𝘀, 𝗵𝗶𝘀𝘁ó𝗿𝗶𝗮𝘀 𝘃𝗶𝘃𝗮𝘀
Todos se pintam com urucum e jenipapo, com grafismos que indicam clã, papel e estado espiritual. As pinturas comunicam, protegem e conectam com a ancestralidade, sendo um idioma visual.
𝗖𝘂𝗿𝗶𝗼𝘀𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗜𝗻𝗰𝗹𝘂𝘀𝗶𝘃𝗮: 𝗮 𝗲𝘀𝗰𝘂𝘁𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝘁𝗿𝗮𝗱𝗶çã𝗼 𝘃𝗶𝘃𝗮
A oralidade é a base do conhecimento. Pessoas com deficiência visual são vistas como “guardadoras de histórias”, por sua escuta aguçada e memória, sendo respeitadas como narradoras.
𝗠𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘂𝗺 𝗿𝗶𝘁𝘂𝗮𝗹
O Kuarup mostra como o luto pode ser coletivo e celebrativo. Ele fortalece laços, transmite ensinamentos e reafirma a ligação com os ancestrais. É tradição, afeto e memória vivos.
(Foto: Senado Notícias)