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Maquiagem e deficiência visual: como esse mercado está mudando


Durante muito tempo, a maquiagem foi tratada como um universo essencialmente visual. Tutoriais, campanhas e produtos eram pensados para quem enxergava, enquanto pessoas com deficiência visual simplesmente não eram consideradas nesse processo. Essa lógica começou a ser questionada quando histórias reais passaram a ganhar visibilidade, como a da influenciadora britânica Lucy Edwards, que mesmo com perda total da visão compartilha tutoriais de automaquiagem e mostra que é possível desenvolver técnica, precisão e autonomia usando principalmente o tato . Casos como esse ajudam a expor uma falha antiga do mercado e, ao mesmo tempo, indicam que a mudança já começou.


Lucy na rádio BBC de Londres com seu cão-guia
Créditos: (ensino.digital)

A mudança começou fora da indústria


Essa realidade começou a mudar não por iniciativa das marcas, mas por quem sempre esteve à margem. Com o crescimento de plataformas como o TikTok e o YouTube, criadores com deficiência visual, como Lucy, passaram a compartilhar suas rotinas de maquiagem de forma detalhada, explicando cada etapa. Mais do que mostrar, passaram a descrever.

Com isso, a maquiagem deixou de ser apenas visual e passou a ser entendida também como uma experiência sensorial, baseada no toque, na prática e na familiaridade com o próprio rosto.


O impacto dessa nova perspectiva


Esse movimento mudou a forma como a maquiagem é vista. A ideia de que ela depende da visão começou a perder força, dando espaço para uma compreensão mais ampla e adaptável.

Ao mesmo tempo, isso expôs uma falha importante: se as pessoas conseguem se adaptar, por que o mercado ainda não acompanha?


A resposta das marcas


Nos últimos anos, a indústria da beleza começou a reagir. Surgiram campanhas mais diversas e algumas tentativas de tornar produtos mais acessíveis. Ainda assim, a maior parte dessas mudanças é superficial.

A acessibilidade raramente faz parte da base do desenvolvimento. Ela aparece depois, como ajuste, e não como princípio.


Entre inclusão e estratégia

Com o tema ganhando visibilidade, a acessibilidade também passou a ser vista como oportunidade de mercado. Existe hoje um reconhecimento de que há um público consumidor ignorado e que inclusão também agrega valor às marcas.

Isso faz com que os avanços existam, mas nem sempre pelas razões mais consistentes.


Um cenário em transição


Mais do que os produtos, o que realmente está mudando é a forma de pensar a maquiagem. Ela deixa de ser algo limitado à visão e passa a ser entendida como uma experiência possível de adaptação.

Ainda assim, o cenário está longe do ideal. A acessibilidade continua sendo exceção em muitos casos, quando deveria ser regra.


Mais do que maquiagem


No fim, essa discussão vai além da estética. Ela envolve acesso, autonomia e pertencimento.

O mercado começou a se mover, mas ainda está longe de acompanhar plenamente a realidade de quem sempre precisou se adaptar sozinho.

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