As barreiras que realmente limitam: uma reflexão sobre o capacitismo
- Lana Alves

- 9 de out. de 2025
- 2 min de leitura
O capacitismo é uma forma de discriminação e preconceito que muitas vezes passa despercebido, porém tem um impacto profundo na vida de pessoas com deficiência. Ele pode se manifestar de diversas maneiras, mas uma principal manifestação é quando alguém com deficiência é tratada como incapaz ou diferente diante da sociedade. Assim como o racismo ou o machismo, o capacitismo é estrutural e está presente nas atitudes, nas piadas, nas políticas públicas e até na linguagem que usamos sem perceber.
Ser capacitista não significa apenas zombar ou excluir abertamente já que pode se revelar em gestos e frases aparentemente gentis em que tratamos PCDs de forma “especial” e como se fosse uma grande surpresa que consigam viver uma vida normal com deficiência. Frases como “você é um exemplo de superação”, “deve ser difícil viver assim” ou “que coragem sair sozinho” embora pareçam frases de reconhecimento ou admiração, são expressões que reforçam a ideia de que uma pessoa com deficiência é algo frágil que não pode ser independente ou não consegue viver uma vida normal. Pessoas com deficiência não precisam ser vistas como heróis ou exemplos de superação, mas sim como cidadãos com direitos, potencial e autonomia.
Oque ninguém vê, é que o verdadeiro problema que as essas pessoas têm que enfrentar não são suas deficiência em si, mas sim as barreiras que a nossa sociedade, que ainda não é plenamente acessível, possuí. A falta de estruturas inclusivas e acessíveis também representa uma forma de capacitismo, pois evidencia que as pessoas com deficiência foram esquecidas e que nada foi planejado para garantir que elas pudessem ter acesso, se comunicar ou se locomover de maneira autônoma. Ambientes sem rampas, calçadas irregulares, prédios sem elevadores acessíveis, sites sem leitores de tela, ausência de intérpretes de Libras e falta de sinalização tátil são exemplos claros de exclusão e isso, por si só, é uma forma de discriminação.
Combater o capacitismo exige primeiramente a tomada de mudanças em nós mesmo. É necessário repensar a forma como falamos, agimos e projetamos os espaços que compartilhamos. Isso inclui promover acessibilidade física, comunicacional e atitudinal em todos os ambientes, como na escola, local de trabalho, no transporte público e no turismo. Mais do que adaptar estruturas, é preciso transformar mentalidades e reconhecer que a deficiência não deve ser vista como o principal problema, porque o que torna maior o desafio é a falta de acessibilidade, o preconceito e a exclusão social.
Falar sobre capacitismo é dar visibilidade a um tema que ainda é pouco discutido, mas essencial. É um convite à reflexão: será que nossas atitudes realmente promovem a inclusão? Garantir acessibilidade e respeito não é um gesto de caridade, é um ato de justiça e humanidade. Quando deixamos de enxergar a deficiência como um problema e passamos a valorizar a diversidade, caminhamos rumo a uma sociedade mais empática, igualitária e verdadeiramente acessível.





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