Quando o cinema dá voz e espaço à diversidade
- Lana Alves

- 28 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de out. de 2025
O cinema tem o poder de emocionar, inspirar e fazer refletir. E quando ele traz para o centro da narrativa pessoas com deficiência mostrando suas vivências de forma autêntica, sem estereótipos a arte se transforma também em ferramenta de inclusão. Nos últimos anos, produções de diferentes países vêm mostrando que a representatividade importa, e muito, tanto para quem se vê nas telas quanto para quem aprende a enxergar o mundo de outra forma.
Entre os exemplos mais marcantes está O Som do Silêncio (2019), que conta a história de um baterista que perde a audição e precisa se redescobrir. O filme foi elogiado pela atuação de Riz Ahmed e pelo uso de atores surdos, além de trazer o espectador para dentro da experiência sonora de quem vive a surdez. Já Intocáveis (2011), sucesso francês baseado em uma história real, mostra de forma sensível e divertida a amizade entre um homem tetraplégico e seu cuidador, fugindo do tom de “coitadismo” e destacando a autonomia e a leveza da convivência.

O cinema brasileiro também tem dado passos importantes nesse tema, mostrando que a inclusão nas telas é possível e necessária. O longa Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014), de Daniel Ribeiro, é um marco nesse sentido: ao retratar a deficiência visual de forma natural, o filme aborda temas como a adolescência, o amor e a descoberta da autonomia sem cair em estereótipos ou exageros dramáticos. A deficiência do protagonista, Leonardo, é parte da narrativa, mas não define quem ele é — e essa naturalidade torna o filme ainda mais poderoso. Outras produções nacionais também vêm contribuindo para essa mudança de olhar.

A Última Floresta (2021), embora centrado nas lutas dos povos indígenas, inclui personagens com deficiência de maneira orgânica, mostrando que a diversidade é uma realidade em todas as comunidades. Já Minha Irmã e Eu (2023), comédia estrelada por Ingrid Guimarães e Tatá Werneck, apresenta um personagem com deficiência de forma leve e respeitosa, reforçando que representatividade também pode estar presente em filmes populares. Esses exemplos mostram que o cinema brasileiro está, pouco a pouco, aprendendo a contar histórias mais plurais, nas quais pessoas com deficiência não aparecem apenas como coadjuvantes, mas como parte essencial da narrativa humana.
Mas a importância dessas produções vai além da emoção que provocam. Quando pessoas com deficiência ocupam espaços de protagonismo nas telas, o impacto ultrapassa o entretenimento: cria-se um novo imaginário social, em que a deficiência deixa de ser vista como algo a ser superado e passa a ser compreendida como parte natural da diversidade humana. Essa mudança é poderosa porque desafia o capacitismo e estimula o público a refletir sobre acessibilidade, empatia e igualdade de oportunidades. Representar de forma verdadeira é, portanto, um ato político e transformador: é garantir que mais pessoas se sintam vistas, respeitadas e valorizadas.



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