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- Cordões de Identificação: Um símbolo de acessibilidade e respeito
Os cordões de identificação estão cada vez mais presentes em espaços públicos, como supermercados, aeroportos e eventos culturais. Eles são um recurso simples, mas poderoso, para promover inclusão, empatia e acessibilidade. Muitas deficiências são invisíveis a olho nu, e o uso desses cordões evita que a pessoa precise se explicar a todo momento, além de facilitar o acolhimento em situações de atendimento, deslocamento ou socialização. O significado de cada cordão 🌻 Cordão Girassol – Deficiência oculta 🔵 Cordão Azul – Pessoa com autismo (TEA) 🟣 Cordão Roxo – Epilepsia 🟡 Cordão Amarelo – Deficiência intelectual ou múltipla 🔴 Cordão Vermelho – Dificuldades de comunicação 🟢 Cordão Verde – Ansiedade 🟠 Cordão Laranja – TDAH 🌸 Cordão Rosa – Sensibilidade sensorial aumentada Símbolos que também representam a neurodiversidade Além dos cordões, existem símbolos visuais que ajudam a dar visibilidade às diferentes condições: Quebra-cabeça (puzzle) – Tradicionalmente associado ao TEA (Transtorno do Espectro Autista). É um dos símbolos mais conhecidos, embora hoje em dia algumas pessoas da comunidade autista prefiram outros ícones. Infinito colorido – Representa a neurodiversidade como um todo, valorizando a pluralidade de mentes e mostrando que não há um “modelo único” de ser ou pensar. Esses recursos de identificação não são apenas visuais: eles carregam uma mensagem de empatia, respeito e inclusão. Servem para lembrar que cada pessoa tem necessidades e formas de viver diferentes, e que reconhecer isso é o primeiro passo para construir uma sociedade mais acessível. Na Includo, acreditamos que inclusão está nos detalhes. Os cordões, os símbolos e as cores são pequenas ferramentas que abrem espaço para diálogos maiores sobre diversidade e acolhimento.
- O papel essencial das bengalas na vida das pessoas com deficiência visual
A bengala é muito mais do que um simples apoio: ela representa independência, mobilidade e segurança para milhões de pessoas com deficiência visual em todo o mundo. Mas o que muita gente não sabe é que, além da função prática, a bengala também funciona como um símbolo social de comunicação. Suas cores trazem mensagens importantes sobre a condição visual de quem a utiliza, ajudando a sociedade a compreender melhor as necessidades de cada pessoa e a oferecer apoio da forma correta. Créditos: Revista Nova Imagem A tradicional bengala branca é reconhecida mundialmente por identificar pessoas totalmente cegas, comunicando à sociedade a necessidade de atenção e ajuda redobrada. Já a bengala verde é utilizada por pessoas com baixa visão, ou seja, que ainda possuem algum resíduo visual, mas enfrentam grandes limitações no dia a dia. Essa diferenciação é importante porque, muitas vezes, quem enxerga parcialmente não é compreendido como pessoa com deficiência, e a cor da bengala ajuda a esclarecer essa condição. Por fim, a bengala branca com faixas vermelhas sinaliza a surdocegueira, é uma condição que resulta na perda da audição e da visão, total ou parcial, em diferentes graus e que exige ainda mais cuidado na comunicação e no apoio oferecido. Créditos: Revista Nova Imagem Além da cor, existem diferentes modelos de bengala, como a longa, usada para orientação e mobilidade; a dobrável, prática para transporte; a de identificação, mais leve e destinada apenas a sinalizar a deficiência; e a de apoio, que auxilia também no equilíbrio físico. Na hora de escolher, fatores como altura, material, empunhadura e tipo de ponta fazem toda a diferença para o conforto e a eficácia no dia a dia. Nos últimos anos, também surgiram inovações como a bengala eletrônica, equipada com sensores que detectam obstáculos e emitem alertas por vibração. Essa tecnologia não substitui as bengalas tradicionais, mas oferece ainda mais segurança em ambientes desconhecidos ou com muitos obstáculos. Créditos: Mega Pontes Quando reconhecemos os significados podemos ajudar da maneira correta cada pessoas sem invadir o espaço e oferecer apoio apenas quando solicitado, tornando a sociedade mais inclusiva. As cores e os diferentes tipos de bengalas são mais do que detalhes: são um código de comunicação que abre caminhos, fortalece a autonomia e derruba barreiras.
- Frida Kahlo: Arte, Cores e Acessibilidade
Frida Kahlo é um dos maiores ícones do México e do mundo. Suas pinturas cheias de cores, símbolos e emoção contam sua própria história de dor, resistência e criatividade. O que muita gente não sabe é que Frida também é um símbolo de acessibilidade. Desde criança ela teve poliomielite, e depois de um acidente de ônibus aos 18 anos passou a viver com fortes limitações físicas. Mesmo assim, ela transformou sua casa em ateliê e adaptou a forma de pintar, usando suportes e técnicas para continuar produzindo suas obras. Frida Kahlo Hoje, sua antiga residência, a famosa Casa Azul na Cidade do México, virou o Museu Frida Kahlo, e é um dos pontos turísticos mais visitados do país. A curiosidade é que o espaço foi adaptado para receber pessoas com deficiência: há rampas de acesso, áreas com sinalização tátil e até recursos audiovisuais para pessoas com deficiência visual e auditiva. Ou seja, visitar a Casa Azul é não só mergulhar na vida de Frida, mas também experimentar um espaço cultural que reconhece a importância da inclusão. Imagem via tripadvisor.com.br Frida deixou um legado que vai muito além da arte: ela mostrou que acessibilidade é também criar caminhos para que todos possam viver, sentir e se expressar.
- Jalapão em Setembro: Natureza, Aventura e Inclusão para Todos
Setembro é o mês ideal para explorar o Jalapão, no Tocantins. Com clima seco, céu limpo e temperaturas amenas, a região se revela verdadeiramente: dunas douradas, fervedouros de águas cristalinas, cachoeiras e paisagens de tirar o fôlego. Mas o que torna esse destino ainda mais especial é o esforço crescente para torná-lo acessível a todos. Imagem de pedromoraesphotos via Depositphotos.com Aventura com mobilidade garantida Logo na chegada, o visitante percebe que o Jalapão está se transformando em um exemplo de turismo inclusivo. As agências locais têm investido em veículos 4x4 adaptados com plataformas elevatórias, permitindo que cadeirantes possam acessar com segurança os principais atrativos, como a Cachoeira da Velha e a Prainha do Rio Novo. Nessas áreas, rampas e passarelas foram instaladas para facilitar o deslocamento, e os banheiros adaptados garantem conforto durante os passeios. Fervedouros: flutuar com autonomia e segurança Nos fervedouros, fenômenos naturais onde é impossível afundar, a experiência é cuidadosamente planejada para todos. Guias treinados em audiodescrição acompanham pessoas com deficiência visual, descrevendo com riqueza de detalhes a vegetação ao redor, a sensação da água borbulhante e os sons da natureza. Em locais como o Fervedouro do Ceiça, há apoio de monitores especializados que auxiliam na entrada e permanência na água, garantindo segurança e autonomia. Imagem de pedromoraesphotos via Depositphotos.com Trilhas e mirantes com acessibilidade sensorial: A trilha até a famosa Duna do Jalapão foi parcialmente adaptada com sinalização tátil e cordas-guia, permitindo que pessoas com baixa visão possam sentir o terreno e se orientar com mais facilidade. Para quem tem deficiência auditiva, os guias que dominam Libras tornam a visita muito mais rica. Durante o pôr do sol nas dunas, é comum ver rodas de conversa com intérpretes, onde se compartilham histórias sobre o cerrado, a cultura quilombola e a formação geológica da região. Hospedagem acolhedora e experiências inclusivas: A cidade de Mateiros, uma das bases para explorar o Jalapão, também tem se destacado por sua hospitalidade inclusiva. Pousadas como a Encantos do Jalapão oferecem quartos adaptados e ambientes tranquilos, ideais para pessoas com deficiência intelectual. Os funcionários são treinados para oferecer atendimento personalizado, respeitando o tempo e as necessidades de cada hóspede. Atividades como oficinas de capim-dourado, muito populares na região, são conduzidas de forma lúdica e acessível, permitindo que todos participem e aprendam sobre essa arte tradicional. Fonte: Korubo Safari Camp Jalapão – korubo.com.br Mirante acessível para todos os sentidos: No Mirante da Serra do Espírito Santo, onde a vista panorâmica do cerrado emociona qualquer visitante, há espaços delimitados e seguros para cadeiras de rodas, além de placas com QR codes que levam a vídeos em Libras e descrições em áudio. Um destino que celebra a diversidade Visitar o Jalapão em agosto é mais do que uma viagem, é uma celebração da natureza e da inclusão. É a prova de que o turismo pode e deve ser para todos. E quando cada pessoa, independentemente de suas limitações, pode sentir o vento nas dunas, ouvir o som das cachoeiras ou mergulhar num fervedouro, o cerrado se torna ainda mais grandioso.
- Big Ocean: O grupo de K-pop que está quebrando barreiras com música e inclusão
O universo do K-pop é conhecido por sua estética impecável, coreografias intensas e padrões muitas vezes rígidos de beleza e performance. Mas em meio a esse cenário, surgiu o Big Ocean, um grupo que não apenas desafia esses padrões, mas os redefine com coragem, talento e representatividade. (Créditos: Parastar Entertainment/Divulgação) Quem são os integrantes do Big Ocean? Formado por Park Hyunjin (PJ), Lee Chanyeon e Kim Jiseok, o Big Ocean é o primeiro grupo de K-pop composto exclusivamente por idols com deficiência auditiva. Cada membro tem uma história de superação: PJ perdeu parte da audição ainda na infância e usa implante coclear e aparelho auditivo. Chanyeon também passou por cirurgia para implante coclear após perder a audição aos 11 anos. Jiseok, o mais jovem, nasceu com deficiência auditiva e usa aparelhos auditivos. Apesar das limitações auditivas, eles se comunicam com o mundo por meio da música, dança e linguagem de sinais, uma combinação que eles chamam de “free soul pop”. Superando barreiras na indústria A estreia do grupo aconteceu em 20 de abril de 2024, no Dia Nacional da Pessoa com Deficiência na Coreia do Sul, um gesto simbólico que já dizia muito sobre sua missão. Desde então, eles lançaram músicas como “Glow”, “Flow” e “Slow”, todas acompanhadas por videoclipes que incluem interpretação em linguagem de sinais. A indústria do entretenimento sul-coreano é notoriamente exigente, e a inclusão de artistas com deficiência auditiva parecia, até então, um sonho distante. Mas o Big Ocean provou que talento e expressão vão muito além da audição. Eles não apenas cantam e dançam, eles sentem a música e a compartilham com o mundo de forma visual, emocional e acessível. (Créditos: Parastar Entertainment/Divulgação) Impacto e reconhecimento O impacto do Big Ocean foi imediato. Em setembro de 2024, foram nomeados “Rookie of the Month” pela Billboard Korea, um reconhecimento não só pelo talento, mas pela importância cultural e social de sua presença na indústria. Além disso, o grupo realizou turnês internacionais, incluindo Brasil, Europa e Estados Unidos, levando sua mensagem de inclusão e empatia para fãs ao redor do mundo. Mais que música: uma nova linguagem Como disse Chanyeon, “Para nós, a linguagem de sinais não é apenas um elemento, é o coração da nossa performance”. O Big Ocean não está apenas fazendo música. Eles estão criando uma nova forma de arte, onde cada gesto, cada expressão e cada movimento carrega significado. O Big Ocean é prova viva de que os padrões existem para serem desafiados. Eles não apenas conquistaram espaço em uma indústria que parecia inacessível, eles abriram caminho para que outros artistas com deficiência possam sonhar também.
- Acessibilidade na Beleza: Rare Beauty Mostra Que Inovação e Inclusão Podem Andar Juntas
A indústria da beleza há anos se dedica a criar embalagens sofisticadas e fragrâncias marcantes. Mas quando o assunto é acessibilidade, poucos produtos realmente atendem às necessidades de quem vive com mobilidade reduzida ou dificuldades motoras. Foi nesse cenário que a Rare Beauty, marca fundada por Selena Gomez, lançou o Rare Eau de Parfum, um perfume que não é apenas mais um lançamento, é um marco na inclusão dentro da perfumaria. Foto: Selena Gomez (Reprodução/Instagram) Por que acessibilidade nos cosméticos importa Aplicar um perfume, passar batom ou abrir um creme são gestos que parecem simples, mas para muitas pessoas podem ser um desafio diário. Embalagens duras, tampas pequenas e sprays que exigem força e precisão excluem silenciosamente parte do público consumidor. A acessibilidade nos cosméticos não é um luxo ou um diferencial de marketing, é uma questão de direito ao cuidado pessoal com autonomia e dignidade. O frasco que muda a experiência O Rare Eau de Parfum foi desenvolvido em parceria com terapeutas ocupacionais e engenheiros especializados para garantir facilidade de uso. O frasco possui formato ergonômico, maior aderência e uma bomba oversized que pode ser acionada com apenas uma mão. Em testes, mais de 90% dos participantes com dificuldades nos membros superiores relataram que conseguiam usar o perfume de forma independente. Foto: Perfume da Selena Gomez e balms (Reprodução/Instagram) Inclusão que inspira Selena Gomez, que vive com lúpus e já enfrentou suas próprias limitações físicas, usou sua experiência para guiar o design do produto. O resultado é um perfume que não apenas tem uma fragrância envolvente, mas também transmite uma mensagem clara: beleza é para todos. Quando marcas incorporam a acessibilidade desde a concepção do produto, elas ampliam seu impacto social e redefinem o que significa inovar no mercado. Um chamado para toda a indústria O exemplo da Rare Beauty abre espaço para uma reflexão urgente: se é possível criar um perfume funcional para todos, por que não aplicar o mesmo cuidado a todos os cosméticos? Embalagens adaptadas, formatos intuitivos e design inclusivo não deveriam ser exceção, mas padrão. Afinal, acessibilidade não é tendência, é um compromisso permanente com a inclusão.
- Viajar é para todos: A importância do turismo acessível no mundo de hoje
Quando falamos em turismo acessível, muitas pessoas ainda associam o tema exclusivamente a pessoas com deficiência motora. Porém, a acessibilidade vai muito além: ela beneficia também pessoas com deficiência auditiva, visual ou intelectual, além de idosos, gestantes e qualquer pessoa que, em algum momento, precise de mais apoio, segurança e conforto para viajar. (Foto: reprodução/https://fotografia.folha.uol.com.br/) A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, reforça que o acesso ao lazer e à cultura é parte fundamental da cidadania. No turismo, isso significa garantir que hotéis, transportes e atrações sejam pensados para atender diferentes necessidades e proporcionar experiências sem barreiras. Na prática, entretanto, ainda existem desafios significativos. Hotéis sem quartos adaptados, transportes inadequados e atrações turísticas sem estrutura limitam a liberdade de ir e vir de milhões de pessoas. De acordo com o último censo do IBGE, mais de 18 milhões de brasileiros declararam ter algum tipo de deficiência — um público que muitas vezes se vê impedido de exercer um direito básico: o de viajar. (Foto: reprodução/nascenteazul.com.br) Além de promover inclusão, a acessibilidade também fortalece o turismo e movimenta a economia. Um destino adaptado atrai não apenas viajantes com deficiência, mas também seus familiares e amigos, aumentando o fluxo de visitantes. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), o turismo acessível é hoje um dos segmentos que mais crescem no mundo, justamente porque atende a um público historicamente negligenciado. Investir em acessibilidade é, portanto, sinônimo de visibilidade, reputação e competitividade. É importante lembrar que acessibilidade não se resume à infraestrutura. Não basta apenas ter rampas ou elevadores, é preciso adotar uma nova mentalidade. O turismo acessível começa quando entendemos que inclusão é cidadania, não caridade. Todos temos direitos iguais, e quanto mais trabalharmos juntos para garantir as mesmas oportunidades, mais pessoas poderão viver experiências únicas e inesquecíveis que as viagens proporcionam.
- Acessibilidade digital no turismo: viajar começa muito antes do embarque
vocerh.abril.com Pesquisar hotéis, entender se um destino realmente é acessível, descobrir como funciona o transporte local, conferir banheiros adaptados, rampas, cardápios acessíveis ou recursos de inclusão faz parte da experiência de milhares de viajantes. E para pessoas com deficiência, essa etapa não é apenas planejamento. É segurança, autonomia e tranquilidade. O problema é que, muitas vezes, essas informações ainda são difíceis de encontrar. Sites confusos, falta de descrição de acessibilidade, imagens sem texto alternativo e informações incompletas acabam transformando o sonho de viajar em insegurança e frustração. É por isso que a acessibilidade digital se tornou uma parte essencial do turismo inclusivo. Quando um site é acessível, quando as informações são claras e transparentes e quando existe preocupação real em comunicar acessibilidade, mais pessoas conseguem viajar com independência e o turismo deixa de ser limitado e passa a ser uma possibilidade real para todos. equalweb.com Na Includo, acreditamos que inclusão começa muito antes do destino. Nossa missão é transformar o turismo em uma experiência mais acessível, acolhedora e democrática, conectando pessoas a informações confiáveis e ajudando viajantes com deficiência a explorarem o mundo com mais liberdade. Por isso, além de produzir conteúdos sobre turismo acessível e inclusivo, também oferecemos consultoria de viagens para PCDs, auxiliando no planejamento de experiências mais seguras, confortáveis e adaptadas às necessidades de cada viajante. Afinal, cada detalhe importa quando falamos de autonomia. A acessibilidade no turismo não está apenas em rampas, elevadores ou adaptações físicas. Ela também está na comunicação, na informação e na forma como as pessoas conseguem acessar o mundo digital.
- Coisas comuns que nasceram da acessibilidade
Muitas das coisas que usamos no dia a dia parecem ter sido criadas apenas por conveniência. Mas a verdade é que diversas soluções comuns surgiram para atender necessidades de acessibilidade, principalmente para pessoas com deficiência. Com o tempo, essas soluções se mostraram tão úteis que passaram a ser usadas por todo mundo. Esse fenômeno é conhecido como design universal: quando algo pensado para incluir mais pessoas acaba beneficiando a sociedade inteira. A seguir, veja alguns exemplos curiosos de coisas que parecem comuns, mas têm origem na acessibilidade. 1. Legendas em vídeos Hoje é comum assistir a filmes e séries com legendas, seja para entender melhor o diálogo, acompanhar conteúdos em outro idioma ou ver vídeos em ambientes silenciosos. Mas as legendas foram criadas principalmente para pessoas surdas ou com deficiência auditiva. As chamadas closed captions começaram a se popularizar na televisão nas décadas de 1970 e 1980, permitindo que pessoas que não escutam pudessem acompanhar diálogos, sons importantes e até descrições de ruídos. Hoje, elas ajudam também: quem está aprendendo um idioma quem assiste vídeos em lugares barulhentos quem prefere acompanhar a leitura junto com o áudio Ou seja, algo pensado para inclusão acabou se tornando um recurso útil para milhões de pessoas. 2. Rampas nas calçadas As pequenas rampas nas esquinas das calçadas, chamadas de rebaixamento de guia, foram criadas para permitir a circulação de pessoas que utilizam cadeira de rodas. Sem elas, atravessar uma rua pode se tornar uma grande barreira. Mas hoje essas rampas ajudam muito mais gente, como: pessoas com carrinho de bebê viajantes com malas de rodinha entregadores com carrinhos de carga ciclistas idosos com mobilidade reduzida Esse efeito é tão conhecido que existe até um termo em inglês chamado “curb cut effect”: quando algo criado para um grupo específico melhora a vida de todos. 3. Audiolivros Créditos: (theguardian.com) Os audiolivros são cada vez mais populares. Muitas pessoas escutam livros enquanto dirigem, caminham ou fazem tarefas domésticas. Mas essa ideia surgiu para pessoas com deficiência visual ou dificuldades de leitura, que precisavam de uma forma alternativa de acessar conteúdos escritos. Hoje, os audiolivros beneficiam: pessoas com dislexia estudantes que preferem aprender ouvindo quem quer aproveitar melhor o tempo durante deslocamentos pessoas que gostam de consumir conteúdo enquanto fazem outras atividades Mais uma vez, uma solução de acessibilidade acabou ampliando as possibilidades para todo mundo. 4. Portas automáticas Créditos: (geze.be) Portas automáticas são comuns em shoppings, aeroportos, hospitais e supermercados. Embora muitas pessoas vejam isso apenas como conforto, elas foram pensadas para facilitar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida, como usuários de cadeira de rodas, pessoas com muletas ou idosos. Além disso, elas também ajudam: pessoas carregando sacolas famílias com carrinho de bebê funcionários transportando mercadorias qualquer pessoa com as mãos ocupadas Ou seja, além de melhorar a acessibilidade, elas também tornaram os espaços mais práticos para todos. 5. Comandos de voz Assistentes virtuais e comandos de voz estão presentes em celulares, carros e casas inteligentes. Embora hoje sejam associados à tecnologia moderna, muitas dessas ferramentas foram desenvolvidas para ajudar pessoas com limitações motoras, que podem ter dificuldade para digitar ou usar telas sensíveis ao toque. Atualmente, comandos de voz são usados por pessoas que: estão dirigindo estão cozinhando precisam enviar mensagens rapidamente querem interagir com dispositivos sem usar as mãos Isso mostra como a acessibilidade também impulsiona a inovação tecnológica. Acessibilidade não beneficia só um grupo Esses exemplos mostram algo importante: acessibilidade não é um benefício exclusivo para pessoas com deficiência. Na prática, ela melhora a experiência de todos. Quando cidades, empresas e produtos são pensados de forma mais inclusiva, o resultado costuma ser um mundo mais prático, confortável e funcional para toda a sociedade. Por isso, investir em acessibilidade não é apenas uma questão social, é também uma forma inteligente de inovar.
- Tokenismo ou protagonismo? PcDs nas telas
O debate sobre tokenismo versus protagonismo em séries e filmes é cada vez mais relevante quando pensamos em representatividade de pessoas com deficiência. Muitas produções ainda caem na armadilha do tokenismo, que acontece quando um personagem PcD é incluído apenas para “cumprir cota” ou dar a impressão de diversidade, mas sem profundidade narrativa ou participação real na trama. Esses personagens costumam ser secundários, sem desenvolvimento, ou aparecem apenas como recurso dramático para inspirar ou provocar pena, reforçando estereótipos em vez de quebrá-los. NETFLIX. Special. Pôster promocional da série. Los Gatos, CA: Netflix, 2019. Disponível em: Já o protagonismo é o oposto: é quando personagens PcDs têm histórias próprias, complexas e multifacetadas, com voz ativa e impacto na narrativa. Nesse caso, eles não estão ali apenas para representar a deficiência, mas para viver experiências humanas completas, amor, trabalho, conflitos, sonhos, como qualquer outro personagem. O protagonismo também se manifesta quando atores PcDs interpretam papéis de PcDs, garantindo autenticidade e evitando que a deficiência seja apenas uma “caracterização” feita por atores sem deficiência. Nos últimos anos, algumas produções têm avançado nesse sentido. Séries como Special e Atypical abriram espaço para personagens com deficiência que não se resumem à sua condição, mostrando suas vidas de forma mais realista e diversa. Por outro lado, ainda vemos muitos exemplos de tokenismo em grandes produções, onde o personagem PcD aparece rapidamente, sem relevância, apenas para sinalizar inclusão. NETFLIX. Atypical. Pôster promocional da temporada final. Los Gatos, CA: Netflix, 2021. Disponível em: Esse contraste é importante porque influencia diretamente a forma como a sociedade enxerga PcDs. O tokenismo perpetua invisibilidade e estereótipos, enquanto o protagonismo fortalece a representatividade e ajuda a construir uma cultura mais inclusiva. Quando séries e filmes dão espaço genuíno para PcDs, não só ampliam a diversidade nas telas, mas também contribuem para mudanças sociais fora delas.
- Maquiagem e deficiência visual: como esse mercado está mudando
Durante muito tempo, a maquiagem foi tratada como um universo essencialmente visual. Tutoriais, campanhas e produtos eram pensados para quem enxergava, enquanto pessoas com deficiência visual simplesmente não eram consideradas nesse processo. Essa lógica começou a ser questionada quando histórias reais passaram a ganhar visibilidade, como a da influenciadora britânica Lucy Edwards, que mesmo com perda total da visão compartilha tutoriais de automaquiagem e mostra que é possível desenvolver técnica, precisão e autonomia usando principalmente o tato . Casos como esse ajudam a expor uma falha antiga do mercado e, ao mesmo tempo, indicam que a mudança já começou. Créditos: (ensino.digital) A mudança começou fora da indústria Essa realidade começou a mudar não por iniciativa das marcas, mas por quem sempre esteve à margem. Com o crescimento de plataformas como o TikTok e o YouTube, criadores com deficiência visual, como Lucy, passaram a compartilhar suas rotinas de maquiagem de forma detalhada, explicando cada etapa. Mais do que mostrar, passaram a descrever. Com isso, a maquiagem deixou de ser apenas visual e passou a ser entendida também como uma experiência sensorial, baseada no toque, na prática e na familiaridade com o próprio rosto. O impacto dessa nova perspectiva Esse movimento mudou a forma como a maquiagem é vista. A ideia de que ela depende da visão começou a perder força, dando espaço para uma compreensão mais ampla e adaptável. Ao mesmo tempo, isso expôs uma falha importante: se as pessoas conseguem se adaptar, por que o mercado ainda não acompanha? A resposta das marcas Nos últimos anos, a indústria da beleza começou a reagir. Surgiram campanhas mais diversas e algumas tentativas de tornar produtos mais acessíveis. Ainda assim, a maior parte dessas mudanças é superficial. A acessibilidade raramente faz parte da base do desenvolvimento. Ela aparece depois, como ajuste, e não como princípio. Entre inclusão e estratégia Créditos: (emsaudemental.com.br) Com o tema ganhando visibilidade, a acessibilidade também passou a ser vista como oportunidade de mercado. Existe hoje um reconhecimento de que há um público consumidor ignorado e que inclusão também agrega valor às marcas. Isso faz com que os avanços existam, mas nem sempre pelas razões mais consistentes. Um cenário em transição Mais do que os produtos, o que realmente está mudando é a forma de pensar a maquiagem. Ela deixa de ser algo limitado à visão e passa a ser entendida como uma experiência possível de adaptação. Ainda assim, o cenário está longe do ideal. A acessibilidade continua sendo exceção em muitos casos, quando deveria ser regra. Mais do que maquiagem No fim, essa discussão vai além da estética. Ela envolve acesso, autonomia e pertencimento. O mercado começou a se mover, mas ainda está longe de acompanhar plenamente a realidade de quem sempre precisou se adaptar sozinho.
- Em Maio: Temporada de baleias acessível em São Sebastião
Em maio, o litoral norte de São Paulo abre as cortinas de um espetáculo que não precisa de palco: a temporada de baleias. No município de São Sebastião, a passagem desses gigantes do oceano redesenha a paisagem e convida o visitante a uma experiência que mistura contemplação, ciência e um encontro direto com a biodiversidade brasileira. Entre maio e agosto, espécies como a baleia jubarte tornam-se presenças frequentes. Vindas das águas geladas da Antártida, elas percorrem milhares de quilômetros até o litoral brasileiro em busca de águas mais quentes para reprodução e cuidado dos filhotes. O canal entre São Sebastião e Ilhabela funciona como uma espécie de corredor natural, aumentando significativamente as chances de avistamento. A observação pode acontecer de diferentes formas. Há quem prefira o silêncio contemplativo da areia ou de mirantes naturais, onde o mar às vezes “respira” em forma de borrifos e saltos. Já os passeios embarcados oferecem uma aproximação maior, geralmente acompanhados por guias especializados ou biólogos, que transformam o passeio em uma verdadeira aula viva sobre conservação marinha. O melhor é que a região vem avançando de forma consistente na acessibilidade que ampliam a possibilidade de participação na temporada de baleias, especialmente em pontos de observação em terra, para que todos possam ter essa experiência magnífica. Em São Sebastião, algumas praias já contam com rampas de acesso, calçadões adaptados e cadeiras anfíbias, permitindo que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida também tenham contato com o mar. Instagram: radarlitoral Esse cenário se fortalece ainda mais em Ilhabela, com destaque para a Ilha das Cabras. O local abriga iniciativas como o projeto Amigos da Inclusão, por meio do programa “Lazer Sem Barreiras”, que oferece estrutura adaptada com cadeiras anfíbias e apoio para banho de mar assistido. Na prática, isso significa que o mar deixa de ser uma paisagem distante e passa a ser experiência concreta para todos. A Prefeitura de Ilhabela disponibiliza atualmente 14 cadeiras anfíbias distribuídas em diversas praias, com uso gratuito durante todo o ano. Entre os pontos que oferecem esse recurso estão praias como Perequê, Castelhanos, Bonete, Armação e a própria Ilha das Cabras. O uso pode ser feito diretamente nos locais, com o apoio de acompanhantes, ou mediante agendamento prévio para utilização em outras praias. Além disso, o projeto também incentiva a participação de voluntários, ampliando o impacto social da iniciativa. Para quem deseja embarcar em passeios marítimos, a recomendação é verificar previamente as condições de acessibilidade das embarcações, incluindo estrutura de embarque, circulação interna e equipamentos de segurança. Embora existam avanços, ainda há desafios na padronização dessas adaptações. viagemeturismo.abril.com.br Conhecer São Sebastião nesse período é mais do que uma viagem. É testemunhar um ciclo natural impressionante, onde o oceano ganha movimento e significado. E, cada vez mais, é também vivenciar um turismo que se abre para todos, ampliando horizontes não só no mapa, mas na forma de experienciar o mundo.
- Plataformas que estão tornando filmes e séries mais acessíveis
canaltech.com Nos últimos anos, o streaming transformou a forma como consumimos entretenimento. Filmes, séries e documentários passaram a estar disponíveis a qualquer hora e em qualquer lugar. Mas, além da praticidade, outro avanço importante vem ganhando destaque: a acessibilidade nas plataformas digitais. Para muitas pessoas com deficiência, assistir a um filme ou série nem sempre foi uma experiência simples. A falta de recursos como audiodescrição ou legendas adequadas podia limitar o acesso ao conteúdo. Hoje, diversas plataformas estão investindo em ferramentas que permitem que mais pessoas participem plenamente do universo do entretenimento. Serviços como Netflix, Amazon Prime Video e Disney+ já oferecem uma variedade crescente de recursos de acessibilidade em seus catálogos. Entre os principais recursos disponíveis estão as legendas descritivas, que não apenas transcrevem as falas dos personagens, mas também indicam sons importantes para a compreensão da história, como música, efeitos sonoros ou mudanças de ambiente. Esse recurso é fundamental para pessoas surdas ou com deficiência auditiva. videoshack.com Outro avanço significativo é a audiodescrição, uma narração adicional que descreve elementos visuais importantes da cena, como expressões faciais, cenários e ações dos personagens. Para pessoas cegas ou com baixa visão, esse recurso transforma completamente a experiência de assistir a um filme ou série. Algumas plataformas também permitem personalizar as legendas, alterando tamanho da fonte, cores ou contraste, o que pode facilitar a leitura para diferentes públicos. Essas iniciativas mostram que o entretenimento digital pode ser mais democrático quando a acessibilidade é considerada desde o início. À medida que mais empresas investem nesses recursos, o streaming se torna não apenas uma forma de lazer, mas também um espaço de inclusão cultural.
- Parada PcD: quando inclusão ocupa as ruas
A Parada PcD é um evento que vem ganhando cada vez mais relevância no Brasil, não apenas como celebração, mas como um verdadeiro ato político e cultural. Ela nasceu da necessidade de dar visibilidade às pessoas com deficiência e de mostrar que acessibilidade não é um favor, mas um direito. Ao ocupar as ruas com música, dança, performances artísticas e discursos, a Parada PcD transforma o espaço público em palco de diversidade e protagonismo, reforçando que deficiência faz parte da pluralidade humana e não deve ser motivo de exclusão. VALE PCD; QUILOMBO PCD. 1ª Parada do Orgulho PCD Brasil. São Paulo, 24 set. 2023. Logotipo oficial. Disponível em: O evento tem se consolidado como um marco de representatividade, reunindo coletivos, ativistas, familiares e apoiadores em torno de uma causa comum: a luta por dignidade e igualdade. Mais do que um desfile, é um espaço de pertencimento, onde PcDs podem se expressar livremente, compartilhar suas histórias e reivindicar mudanças concretas. A cada edição, a Parada PcD abre debates sobre mobilidade urbana, educação inclusiva, mercado de trabalho acessível e representatividade na mídia, temas que continuam sendo desafios urgentes no país. A Parada PcD não coloca pessoas com deficiência apenas como símbolos de diversidade, mas como protagonistas reais, que lideram, organizam e dão voz ao movimento. Isso fortalece a ideia de que inclusão verdadeira só acontece quando PcDs participam ativamente da construção das narrativas e das políticas públicas. RODRIGUES, Victor. Fotografia da 1ª Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência do Nordeste. Salvador, BA, 21 abr. 2024. Disponível em: O impacto social da Parada PcD é profundo: ela inspira novas gerações, pressiona governos e empresas a repensarem suas práticas e cria uma atmosfera de celebração que mostra que acessibilidade também é cultura, arte e afeto. Ao ocupar espaços emblemáticos de cidades como São Paulo e Salvador, o movimento deixa claro que uma sociedade só é completa quando todos têm lugar garantido, voz ativa e respeito assegurado.
- Beto Carrero World surpreende mais uma vez...
Um vídeo publicado recentemente no Instagram da Includo chamou a atenção ao registrar um momento de inclusão durante um espetáculo ao vivo. A cena, simples à primeira vista, evidencia como pequenas atitudes podem transformar completamente a experiência de pessoas com deficiência. O registro foi feito durante uma apresentação inspirada em Madagascar, no Beto Carrero World. Durante o show, o mascote Rei Julien interage com o público, mas, ao perceber a presença de uma criança com deficiência visual, a dinâmica muda. Assista ao vídeo O momento foi compartilhado nas redes sociais da Includo e rapidamente gerou engajamento pela sensibilidade da situação. Confira o vídeo completo no Instagram da Includo Quem é Davi Créditos: @Daviovencedor A criança que aparece no vídeo é Davi, que compartilha parte de sua rotina no perfil @daviovencedor. Ele foi diagnosticado com Doença de Batten, uma condição neurodegenerativa rara que pode causar perda progressiva da visão e comprometimento motor. Segundo informações divulgadas pela Revista Crescer, e também com conteúdo exibido pela TV Globo e disponível no Globoplay, os primeiros sinais surgiram por volta dos 5 anos, quando Davi começou a apresentar dificuldades para distinguir cores e mudanças no comportamento visual. Após passar por diversos especialistas, o diagnóstico foi confirmado após um período de investigação, trazendo novos desafios para toda a família. Uma experiência além do visual Durante o espetáculo, ao ser informado sobre a deficiência visual de Davi, o personagem se aproxima e permite uma interação diferente da convencional. A criança é incentivada a explorar o rosto e o figurino do mascote por meio do toque, recurso essencial para a percepção de pessoas com deficiência visual. A partir desse momento, a experiência deixa de ser exclusivamente visual e passa a incorporar elementos sensoriais, tornando-se mais acessível. Acessibilidade na prática O episódio reforça a importância de pensar a acessibilidade para além das estruturas físicas. Em ambientes como parques temáticos e apresentações ao vivo, a experiência costuma ser centrada na visão, o que pode limitar a participação de pessoas com deficiência visual. A interação registrada no vídeo demonstra como adaptações simples podem promover inclusão efetiva, como o uso do tato, a adaptação em tempo real e a atenção às necessidades específicas do público. Um destino que já vinha dando sinais Créditos: (betocarrero.com.br) Esse não é o primeiro indicativo de que o Beto Carrero World tem avançado no tema da acessibilidade. Em uma matéria anterior da Includo, o parque já havia sido destacado como um destino de turismo acessível, especialmente durante a temporada de Halloween, quando adaptações estruturais e operacionais permitem que pessoas com diferentes tipos de deficiência aproveitem as atrações com mais autonomia. Essas iniciativas demonstram um avanço importante na acessibilidade estrutural. O que o momento vivido por Davi acrescenta a esse cenário é outro nível de inclusão: a experiência humana. Reflexões para o turismo e entretenimento Se antes o parque já demonstrava preparo em infraestrutura, agora o que se observa é a aplicação prática da acessibilidade no atendimento, algo que, muitas vezes, é o maior desafio no setor. Casos como esse evidenciam a necessidade de ampliar o debate sobre acessibilidade no turismo e entretenimento. A adoção de práticas como audiodescrição, interações táteis planejadas e treinamento de equipes pode contribuir para tornar esses espaços mais acessíveis a diferentes públicos. O jeito Includo de ser Mais do que relatar um momento emocionante, esse vídeo representa algo que está no centro do que acreditamos na Includo. Inclusão não é sobre grandes discursos, é sobre prática. É perceber quando alguém precisa de uma experiência diferente e ter disposição para adaptar. É entender que acessibilidade não é um extra, mas parte essencial de qualquer vivência. E, principalmente, é garantir que ninguém fique de fora. O que aconteceu com Davi mostra exatamente isso: quando existe atenção, empatia e ação, a inclusão deixa de ser exceção. E passa a ser o padrão. Esse é o #JeitoIncludoDeSer. Inclusão como experiência completa O vídeo publicado pela Includo destaca que inclusão não se limita ao acesso físico aos espaços, mas envolve a possibilidade de vivenciar experiências de forma plena. Ao adaptar a interação durante o espetáculo, o momento permitiu que Davi participasse ativamente da atividade, não apenas como espectador, mas como protagonista da experiência.
- Cão-guia: olhos que guiam, laços que transformam
patasdacasa.com O cão-guia é treinado para conduzir pessoas com deficiência visual com segurança em diferentes ambientes: ruas movimentadas, transportes públicos, calçadas irregulares e até locais desconhecidos. Ele desvia de obstáculos, identifica degraus, para em faixas de pedestres e ajuda seu tutor a se locomover com mais independência. Mas o que realmente faz essa relação tão especial não é apenas a técnica, e sim a confiança. O tutor aprende a “enxergar” através das decisões do cão, enquanto o animal desenvolve um vínculo profundo com quem conduz. É uma comunicação que dispensa palavras e funciona com gestos, comandos e conexão. Tudo começa ainda nos primeiros meses de vida do cão, quando os filhotes passam por um processo de socialização. Nessa fase, eles convivem com famílias voluntárias que ajudam a acostumá-los a diferentes estímulos do dia a dia, como sons, pessoas e ambientes variados. Depois, entram em centros de treinamento especializados, onde aprendem comandos específicos e habilidades essenciais e aqueles que demonstram o equilíbrio ideal entre obediência, atenção, calma e iniciativa se tornam, de fato, cães-guia. guidedogs.com A presença de um cão-guia impacta diretamente a qualidade de vida. Com ele, muitas pessoas passam a ter mais liberdade para viajar e realizar atividades cotidianas sem depender constantemente de terceiros. Além de trazer autonomia e confiança, enquanto o vínculo com o animal contribui para o bem-estar e a sensação de pertencimento. No Brasil, o acesso de pessoas com deficiência visual acompanhadas de cão-guia é um direito garantido por lei que assegura que esses animais possam entrar e permanecer em qualquer ambiente de uso coletivo, seja público ou privado, como restaurantes, hotéis, transportes e estabelecimentos comerciais. Porém, apesar dessa garantia legal, a desinformação ainda é uma barreira persistente, o que acaba gerando situações de constrangimento e, dificultando o cotidiano e a autonomia de quem depende do cão-guia.
- Grandes Vozes do Silêncio: Cinco Pessoas Surdas que Mudaram o Mundo
A deficiência auditiva nunca foi barreira para que algumas pessoas deixassem marcas profundas na história. Ludwig van Beethoven, por exemplo, compôs algumas de suas obras mais célebres já sem ouvir plenamente, mostrando que a genialidade musical transcende limitações físicas. STIELER, Joseph Karl. Beethoven com o Manuscrito da Missa Solemnis. 1820. Óleo sobre tela, 72 × 58,5 cm. Beethoven-Haus, Bonn. Disponível em: Helen Keller, surdocega, tornou-se escritora e ativista, conquistando um diploma universitário e inspirando gerações na luta pela inclusão. KELLER, Helen. Retrato de formatura, início do século XX. Fotografia em preto e branco. Radcliffe College, Cambridge. Disponível em: Thomas Edison, mesmo com perda auditiva, revolucionou o mundo com invenções como a lâmpada elétrica e o fonógrafo, provando que a criatividade não depende da audição. EDISON, Thomas. Demonstração da lâmpada incandescente. Fotografia histórica, início do século XX. Disponível em: Já Marlee Matlin abriu caminhos em Hollywood ao ser a primeira atriz surda a ganhar um Oscar, tornando-se símbolo de representatividade e voz ativa pela comunidade surda. MATLIN, Marlee. Fotografia em evento do Sundance Film Festival. Utah, EUA, c. 2025. Disponível em: Derrick Coleman, por sua vez, fez história no esporte como o primeiro jogador surdo titular da NFL, inspirando jovens atletas a acreditarem em seus sonhos. COLEMAN, Derrick. Fotografia em jogo pelo New Jersey Nets, década de 1990. Disponível em: Essas trajetórias revelam que a deficiência auditiva não define os limites de uma pessoa, mas pode ser o ponto de partida para conquistas extraordinárias e para inspirar o mundo com coragem e talento.
- Você assistiu ‘Soul’ errado (e nem percebeu)
Quando se fala em acessibilidade no cinema, muita gente pensa apenas em recursos como legenda ou audiodescrição. Eles são importantes, mas não são tudo. Soul mostra que a forma como um filme é construído também pode ampliar, ou limitar o acesso. Créditos: (Disney/Pixar) A animação da Pixar trabalha com temas complexos, como propósito e identidade, mas faz isso de maneira visualmente organizada. O “mundo das almas”, por exemplo, é construído com cores bem definidas, contrastes fortes e formas simples, o que facilita a leitura das cenas. Esse tipo de escolha ajuda não só pessoas com baixa visão, mas também quem depende de descrições mais objetivas, já que os elementos são mais fáceis de identificar e interpretar. No campo auditivo, o filme também apresenta diferenças importantes. Apesar de a música ser central na história, ela não é a única forma de transmitir informação. Expressões dos personagens, ritmo das cenas e pausas ajudam a construir sentido. Isso faz com que partes da narrativa continuem compreensíveis mesmo sem todos os detalhes sonoros. Além disso, em plataformas digitais, o filme conta com recursos como legendas e closed caption, que não apenas transcrevem falas, mas também indicam sons relevantes, como música e efeitos. Créditos: (Disney/Pixar) A estrutura da narrativa também contribui para a acessibilidade, principalmente no aspecto cognitivo. “Soul” evita construções muito fragmentadas ou confusas. A história segue uma sequência lógica, com objetivos claros e linguagem direta. Isso reduz a sobrecarga de interpretação e facilita o acompanhamento por pessoas com deficiência intelectual ou diferentes formas de processamento de informação. Outro ponto importante é que esses elementos não aparecem como adaptações feitas depois. Eles fazem parte das decisões de produção, desde o roteiro até o design visual e sonoro. Na prática, isso mostra que a acessibilidade não depende apenas de recursos adicionais, mas também de como o conteúdo é pensado desde o início. Ainda assim, existem limitações. A presença de recursos como audiodescrição e legendas completas pode variar dependendo da plataforma ou do país, o que impacta diretamente a experiência final. No geral, “Soul” não resolve todas as questões de acessibilidade no cinema, mas mostra, na prática, como diferentes escolhas, visuais, sonoras e narrativas, podem tornar um filme mais compreensível e acessível para públicos diversos.

















